Ruídos e ecos: como absorvê-los
Olá, tenho uma sala de aprox 50m2 para eventos. Essa sala é retangular 10×5 e altura de 4m. Tem um porta e sem janelas. Tem um eco infernal e quase não dá para conversar dentro da sala. O que devo fazer para tirar esse eco? VitorOlá Vitor, lá vou ao assunto de acústica de novo!
Bom, um lugar com eco precisa de absorção sonora, o que pode ajudar a absorver o som?
Tecidos grossos como veludo nas janelas, tapeçarias nas paredes, projeção de material isolante no forro como jateamento de fibrocelulose, etc etc. A solução , é claro, vai depender de quanto $$ você poderá investir.
Para ser sincera existem muitas formas de você “atacar” acusticamente um ambiente.Você pode conseguir uma ótima absorção dos ruídos, mas o som ambiente do seu evento vai ficar abafado e sem ser difundido.Neste caso você também irá precisa de um difusor sonoro para difundir o som, sem alterar substancialmente o RT (tempo de reverberação sonora). São normalmente aplicados de forma centralizada sobre superfícies de madeira ou alvenaria.Veja este exemplo:



Laboratório de Acústica e Áudio
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Um bom lugar para você “atacar” também é o forro.Usados normalmente para distribuir as instalações de segurança, ar-condicionado e iluminação, os forros ganharam outra função e vêm sendo indicados por suas funções termoacústicas. Os modelos chamados de acústicos são aqueles com alto desempenho de absorção sonora. Podem ser feitos de materiais porosos ou fibrosos, perfurados ou ranhurados, rígidos ou semirrígidos, ou de estrutura microcelular.
“Eles proporcionam uma adequada absorção sonora nos ambientes internos, melhorando o tempo de reverberação do som. Também propiciam maior privacidade, atenuando a transmissão do som através do plenum de um ambiente para outro”, explica Mitsuo Yoshimoto, físico do Laboratório de Conforto Ambiental e Sustentabilidade dos Edifícios/Cetac, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo).
Os forros acústicos devem atuar em conjunto com outros elementos, como pisos e paredes. A recomendação é a de que sejam especificados por profissionais especializados em acústica e já no início do projeto, para que haja uma análise mais ampla e de forma coerente e econômica. “As tentativas de corrigir a acústica de ambientes já construídos normalmente caem em soluções pouco eficazes e muito onerosas”, justifica o professor da Faculdade de Engenharia da Unesp-Bauru, o engenheiro João Candido Fernandes em sua apostila Acústica e ruído.
“Dentre todos os elementos, o teto é a principal área de reflexão dos sons gerados dentro de um ambiente”, lembra a arquiteta Danubia de Lima Grotta em sua dissertação Materiais e técnicas contemporâneas para controle de ruído aéreo em edifícios de escritórios: subsídios para especificações. Além disso, os forros são mais disponíveis para o tratamento acústico que os outros elementos. “Seja por questões estéticas, higiênicas ou até de manutenção”, alega Nelson Solano, arquiteto e consultor de conforto ambiental da Geros.

CONTROLE DO SOM NO AMBIENTE
Os forros também podem apresentar a propriedade de atenuar e articular o som de forma a oferecer privacidade acústica entre dois ambientes adjacentes, principalmente em espaços corporativos, onde o som pode penetrar no plenum e ser transmitido para outras áreas.
Apesar de depender de vários fatores, a qualidade acústica do local pode ser resumida em inteligibilidade do som, ou seja, a porcentagem de som que um ouvinte consegue entender. Uma das causas da falta de inteligibilidade nos espaços é a reverberação. A absorção do som pelo forro acústico é uma das formas de controlar a reverberação e auxilia na uniformização do campo acústico, garantindo a inteligibilidade e o conforto. “Mas o uso de materiais absorventes deve ser encarado com cuidado, pois eles não absorvem igualmente todas as frequências, causando distorções no som”, alerta Fernandes. Se a preocupação é a conversa, os níveis padrão de absorção sonora serão entre 500 Hz a 4.000 Hz. Para a absorção de ruídos de baixa frequência, como o ronco de um motor com frequência abaixo de 500 Hz, deve-se buscar um produto que apresente bom desempenho nessa faixa.

O FORRO IDEAL
O desempenho dos forros varia de acordo com sua espessura, montagem e acabamento. “A absorção sonora depende muito da altura do plenum e do acabamento aplicado na placa”, explica Yoshimoto.
O uso mais comum do forro acústico acontece em espaços corporativos, principalmente em open space, como forma de organizar o som interno e propiciar maior conforto.
Segundo estudos realizados pela Armstrong, o impacto do ruído em escritórios panorâmicos é significativo, e pode ser corrigido com um bom projeto de acústica. Está comprovado que o ruído das conversas e dos equipamentos reduz a efetividade do trabalho e o nível de satisfação dos empregados, que o identificam como o principal fator causador de stress, distração e perda de produtividade.
Apesar da popularização do forro acústico ainda há espaços como restaurantes e salas de aula que não se beneficiam das qualidades do produto ou onde são aplicados de forma errada. “O forro de gesso liso é usado erroneamente em restaurantes e escritórios criando verdadeiros hospícios acústicos”, revela Solano, para quem a carência de tratamento nas salas de aula é mais problemática. “Afeta o rendimento, o aprendizado e a sociabilidade da criança”, afirma.
Ao escolher o forro acústico, considere os fatores:
Tipo de ocupação
Ambiente a construir ou construído
Propriedades termoacústicas
Resistência ao fogo
Sistema de suspensão e fixação
Influência da absorção na isolação do som, associada à isolação térmica, tratando-se de entreforros
Soluções de piso, paredes e áreas imediatamente acima dos ambientes em uso
Interferências no tempo de reverberação, na difração e na reflexão do som
Atendimento às normas ambientais
Compatibilização com coberturas, pé-direito e iluminação
Facilidades de instalação, manutenção e reposição de peças
Modulações, cores e padrões
Grau de sustentabilidade do material
